A ONU se mobiliza frente ao terremoto na Turquia e na Síria
Agências das Nações Unidas e entidades governamentais e humanitárias se mobilizam para auxiliar as vítimas dos terremotos que estremeceram nesta segunda (6) a Turquia e a Síria, causando mais de 2300 mortes e de 7000 feridos, e um número ainda não estimado de desaparecidos.
Bombeiros buscam sobreviventes em um edifício em Samada, na Síria, destruído pelo terremoto de 6 de fevereiro. Milhares de pessoas morreram, ficaram feridas ou estão desaparecidas sob os escombros. Crédito: Ali Hay Suleiman / UnOcha
NAÇÕES UNIDAS – Agências das Nações Unidas e entidades governamentais e humanitárias se mobilizam para auxiliar as vítimas dos terremotos que estremeceram nesta segunda (6) a Turquia e a Síria, causando mais de 2300 mortes, 7000 feridos e um número ainda não estimado de desaparecidos.
A ONU “está totalmente comprometida a apoiar a resposta. Nossos equipamentos estão sobre o terreno avaliando as necessidades e brindando assistência. Meu coração está com o povo de Türkiye (Turquia) e Siria nessa hora de tragédia”, disse o seu secretário-geral, António Guterres, em declaração.
O Crescente Vermelho já mobilizou 1.080 tendas, 15.400 cobertores, 71 veículos de alimentação e várias cozinhas móveis em solo turco para atender as vítimas do terremoto de magnitude 7,8 na escala Richter, que abalou o sudeste da Turquia e o norte da Síria, seguido por outro de 7,5 graus na mesma região
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) deslocou seus equipamentos na Síria para a zona norte, onde há acampamentos com centenas de milhares de refugiados pela guerra civil neste país; e iniciou o envio de kits médicos de emergência na zona, onde os terremotos derrubaram vários hospitais.
Guterres disse que a ONU conta com a comunidade internacional para ajudar a muitos milhares vitimados pelo desastre, “muitos dos quais já tinham grande necessidade de ajuda humanitária em áreas onde o acesso é um desafio”.
O presidente estadunidense Joe Biden colocou à disposição da Turquia a ajuda da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional; a União Europeia se comprometeu a enviar assistência; e equipes, com ajuda do vizinho Azerbaijão e da Espanha, Países Baixos e Romênia, já estão a caminho.
O presidente turco Recep Tayyip Erdogan considerou que o atual desastre é “a maior tragédia do último século, desde o terremoto de Erzincan (leste do país) em 1939”, que deixou 30.000 mortos.
O governo ativou mais de 9.000 efetivos para trabalhos de auxílio, e o ministro turco do Interior, Süleyman Soylu afirmou que “a prioridade é retirar as pessoas soterradas sob os edifícios derrubadas e levá-las aos hospitais”.
Na Turquia e na Síria, os terremotos atingiram um total de 3.200 edifícios, segundo estimativas das autoridades e grupos rebeldes que controlam o noroeste do Sírio, por isso teme-se que muitas vítimas tenham sido mortas ou ficaram presas debaixo dos escombros.
O abalo telúrico se estendeu por um total de 14 países nesta região do mundo, e com mais força, além da Turquia e da Síria, em Chipre, Israel, Jordânia e Líbano.
Equipamentos de emergência especializados da Oficina de Avaliação e Coordenação de Desastres da ONU, e da Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciam que estavam “prontos para avançar” os trabalhos de resgate e principalmente para atenção dos feridos e dos grupos mais vulneráveis.
Do mesmo modo, o fizeram os responsáveis da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), com a mira posta nas necessidades dos milhares de atingidos, que já estavam em duras condições de sobrevivência no norte sírio, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Na Síria, um país em guerra civil desde há 11 anos, o governo central informou de pelo menos 430 mortos e mais de 1.000 heróis, enquanto no noroeste controlavam por rebeldes os grupos de resgate e morreram com 380 mortos.
Tanto na Turquia como na Síria há zonas afetadas pelos sismos onde as temperaturas são muito baixas para a temporada invernal. Em algumas áreas, a neve dificulta o acesso dos grupos de resgate, e as borrascas com chuva ou ventos, a subida de aeronaves com auxílio.
As unidades de resgate inclusive pedem à população que reduza o uso do telefone, para facilitar a comunicação das pessoas que estão sob os escombros solicitando ajuda, após o primeiro e mais forte abalo sísmico aconteceu de madrugada, às 04:17, hora local, quando dormiam os moradores dos edifício que desmoronaram.
Depois do primeiro abalo telúrico, foram registradas dezenas de outros.
AE/HM
Publicado originalmente na IPS

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